sábado, 25 de abril de 2009

O MEU DIA MUNDIAL DO LIVRO

O meu Dia Mundial do Livro foi verdadeiramente especial. Passei-o com os alunos da EB1 de Badoucos – Souto, em Santa Maria da Feira. O pretexto para a conversa foi o meu “Poemas da Bicharada”, livro que a Associação de Pais tinha oferecido a cada aluno no Natal passado e que foi lido, relido e trabalhado desde então.

A “cavaqueira” animou-se entre a apresentação de todos os meus livros, a leitura de textos (por mim, por pequenos grupos de alunos e por todos – alguns viviam já na memória de quase todos os alunos), as perguntas curiosas de sempre.

Destaque-se deste encontro a sintonia evidenciada por todos os professores, com quem tive o privilégio de tomar um café e trincar uma fogaça (como não podia deixar de ser). Realce-se ainda o magnífico folheto elaborado para comemorar o dia onde consta uma foto minha, uma breve biografia e a transcrição da sinopse da Casa da Leitura aos meus “Poemas da Bicharada” e “Improvérbios” e uma oportuna nota explicativa da génese do Dia Mundial do Livro que passo a transcrever (para que conste e se registe):

O “Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor” é comemorado desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de S. Jorge.
Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge (Saint Jordi) e recebem, em troca, um livro.
Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.
Partilhar livros e flores, nesta Primavera, é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, saber e paixão
.”
Obrigado aos alunos e professores da EB1 de Badoucos – Souto por me terem possibilitado um dia tão especial, com livros e flores.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ESCUTEI PRIMEIRO, LI DEPOIS


A Casa da Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian pediu-me um testemunho sobre os livros da minha infância. Escolhi os que seguem, justificando a escolha:

- Campo de Flores, João de Deus (Fábulas: 8 fábulas em verso)
- Os meus amores, de Trindade Coelho
- Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles
- Os Bichos, de Miguel Torga
- As Folhas Caídas, de Almeida Garrett
- O cavaleiro da Dinamarca, de Sophia de Mello Breyner Andresen
- Uma abelha na chuva, de Carlos de Oliveira
- As aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira
- O Principezinho, de Antoine de Saint Exupery
- Poesias, de Álvaro de Campos
- Poemas Completos, de Manuel da Fonseca


O meu primeiro contacto com os livros não foi a leitura, mas a audição. Conheci-lhes primeiro a voz emprestada e só depois a sua forma e textura. Durante os meus primeiros anos de vida, muito antes da escola, o jantar era sempre em casa dos avós, em redor da mesa oval que nos acolhia para a comida e para a conversa demorada que lhe sucedia. Foi ao colo do meu avô, homem terno e poético, agarrado à terra, que ouvi, “lengalengueadas” e ciclicamente repetidas, fábulas em verso que mais tarde vim a descobrir e a ler no livro “Campo de Flores” de João de Deus; no mesmo regaço escutei, deliciado, contos como a “Parábola dos Sete Vimes”, “Luzia” (enfaticamente contado por ser o nome de minha mãe), e “Abyssus Abyssum” que encontrei e li depois no livro de Trindade Coelho, “Os Meus Amores”.

Quando comecei a juntar as letras e a casar os sons com as ideias, ouvi a professora ler e comecei também eu a soletrar: “O P tem papo, / o P tem pé. / É o P que pia? // (Piu!) // Quem é? / O P não pia: / o P não é. / O P só tem papo / e pé” (excerto do poema “Passarinho no Sapé”). Cecília Meireles era, ao tempo, uma das autoras muito conhecidas e, além disso, predilecta da minha professora. Foi assim, e por esta razão, que o seu livro “Ou isto ou aquilo” se tornou para mim e para os meus companheiros um livro de que conhecíamos os textos (e que nos chegavam escritos no quadro ou simplesmente lidos) sem todavia lhe sabermos o tamanho, a ilustração ou qualquer outro pormenor. Mas era o nosso livro de eleição, pelo que fazíamos e nos divertíamos, aprendendo, com ele.
Mais tarde, no meu 4.º ano de escolaridade, alguém me ofereceu “Os Bichos”, de Miguel Torga, apondo-lhe a seguinte dedicatória: “Um livro é um amigo que sempre nos recorda os amigos”. Talvez por isso ou por qualquer outra razão indecifrável, tornei-me amigo da bicharada, a ponto de lhes dedicar algum do meu labor de escrita. O rumor e o cheiro destes contos acompanha-me ainda hoje, tal foi a marca que deixaram em mim quando os li pela primeiríssima vez.

Aos onze, doze anos comecei a escrevinhar versos, muito inspirado e influenciado por dois livros marcantes: “Folhas Caídas”, de Almeida Garrett e “Serra-Mãe”, de Sebastião da Gama. Estilos e formas tão diferentes desencadearam em mim um entendimento diferenciado da vida e do mundo, por via da emoção e dos sentimentos que tais livros provocaram. Guardo-os, ainda hoje, rabiscados, sublinhados, anotados, carregados de caligrafia pueril e observações inocentes. Marcas do tempo e urdiduras do registo da memória!

Seguiram-se livros que me tornaram cativo da leitura pela imaginação e engenho dos autores e pela consciência que em mim fizeram crescer da singularidade do mundo na diversidade possível das experiências humanas. Foram eles: “O cavaleiro da Dinamarca”, de Sophia de Mello Breyner Anderesen (a que poderia juntar o seu quase desconhecido livrinho “O Cristo Cigano”), “Uma abelha na chuva”, de Carlos de Oliveira, “As aventuras de João Sem Medo”, de José Gomes Ferreira e, inevitavelmente, “O Principezinho”, de Antoine de Saint Exupery. Cada um destes livros, numa intensidade que ainda me escapa, contribuiu decididamente para a construção da minha mundividência autónoma, responsável e livre.

No dealbar da adolescência, por via do professor de Português, tive a fantástica oportunidade de contactar com dois livros absolutamente cruciais, em termos de compreensão literária e de fruição estética: as “Poesias”, de Álvaro de Campos e os “Poemas Completos” de Manuel da Fonseca. Do primeiro guardei o ritmo quase louco da “Ode Triunfal” e da “Ode Marítima” que me deliciava a “declamar” para companheiros e amigos. Do segundo, retive sobretudo a voz limpa e incisiva de Mário Viegas a dizer o poema “Domingo”. Mais uma vez foi a audição deste texto que me fez procurar, encontrar e ler a poesia de Manuel da Fonseca.
Os livros povoaram a minha infância. Chegaram, primeiro pelo ouvido, depois pela leitura e muito tardiamente pela análise e escrita. Eles são o alicerce de uma casa começada e ainda não terminada: a (minha) Casa da Leitura.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A CASA DA LEITURA RECOMENDA "POEMAS PARA BRINCALHAR"


A CASA DA LEITURA, da Fundação Calouste Gulbenkian, incluiu o meu livro “Poemas para Brincalhar” com ilustrações de Anabela Dias, na sua "Montra" de títulos, com a seguinte sinopse, assinada por Ana Margarida Ramos:

"João Manuel Ribeiro deu à estampa, nos últimos tempos, algumas colectâneas de poesia para a infância que se distinguem pela forma como o autor, revisitando a tradição, nomeadamente herdada das rimas infantis, a recria, reinventa e subverte, submetendo a linguagem a um produtivo processo de desconstrução, capaz de sugerir novas possibilidades de leitura. Esta dimensão mais lúdica da construção poética é também o fio coesivo desta colectânea, como se compreende desde o título. De temática diversificada, percorre os texto um mesmo desafio às possibilidades da linguagem e das suas múltiplas combinações fónicas, melódicas e rítmicas, lexicais e semânticas. Resultando muitas vezes em efeitos cómicos, pelos resultados encontrados, os poemas tiram partido da plasticidade que caracteriza a linguagem, tornando a poesia acessível a todos, incluindo a leitores (e escritores) mais pequenos, capazes de se reverem nos textos e nos processos de escrita que eles encerram. Com subtis ilustrações de Anabela Dias, os textos ganham expressividade que também é visível no arranjo gráfico cuidado da publicação." Ana Margarida Ramos

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A MENINA DAS ROSAS - SUGESTÃO SEMANAL DO CRILIJ

Esta semana, a Sugestão Semanal do CRILIJ, do sítio da Rede de Bibliotecas Escolares do Porto é o meu livro “A Menina das Rosas”, numa recensão crítica de Manuela Maldonado, cujo texto deixamos a seguir:

"Aconselhada pela Gulbenkian na sua Casa da Leitura, esta narrativa é, na verdade, uma versão poetizada da vida da Rainha Santa Isabel no seu amor incondicional por Dinis e Afonso, marido e filho.
Mediadora constante nas lutas entra pai e filho, porque portadores de temperamentos opostos, a história inicia-se com uma carta da rainha a D. Dinis que se encontra em Lisboa com um exército, pronto a defrontar Afonso e os seus seguidores.
Embora o narrador seja extradiegético, porque fora da história, concede à Menina das Rosas o desvendamento da sua interioridade, ora através do diálogo, ora da corrente de pensamento. E é assim que, a partir do primeiro acontecimento supracitado, perpassa uma vida dedicada ao apaziguamento das relações entre pai e filho, e do seu próprio apaziguamento. Faculta-se ainda à protagonista um ponto de vista pessoal e é nessa construção que a poeticidade decorre, surgindo uma figura feminina sofredora, mas lutadora, evocando os bons e os maus momentos de um matrimónio e de uma maternidade difíceis. Num diálogo entre marido e mulher, no leito de morte de Dinis, desmistifica-se o milagre das rosas de uma forma muito humana e emocional. E é, por isso, que o titulo se apresenta como " Menina das Rosas". A par da forte carga semântica de Rosa, antepõe-se o vocábulo Menina, outro grande referente poético que consistirá no fio condutor da narrativa: Isabel é portadora do primordial, por rejeição do acessório e do transitório, mau grado o tempo implacável.

A ilustração de Sandra Nascimento dialoga com o texto escrito, reforçando o maravilhoso da proposta narrativa ao conceber num traço figurativo polícromo as situações que se desdobram nas páginas como um tapete persa prestes a levantar voo. E, por isso, a ilustração é estruturalmente cinética. A única representação estática é a da capa, enunciadora de um perfil feminino intemporal, expressão do duradouro e do eterno.

A estes efeitos ajudou o trabalho de design e paginação de Anabela Dias.

A partir dos 8 anos."

Manuela Maldonado

O SEMÁFORO CHORÃO NA PAIS & FILHOS

O SEMÁFORO CHORÃO NA PAIS & FILHOS DE AGOSTO Leonor Riscado apresenta, na revista Pais & Flhos, do mês de agosto, o meu livro &qu...