segunda-feira, 27 de julho de 2009

OS DIREITOS DO LEITOR de Daniel Pennac, ilustrados por Quentin Blake

ALGUMAS DEFINIÇÕES DE POESIA


A Poesia dá-se quando uma emoção encontra o seu pensamento e o pensamento encontra as palavras. (Robert Frost)

A poesia é o melhor uso das palavras para dizer mais do que as palavras podem dizer. (Marvin Bell)

Podemos não saber o que a poesia é, mas reconhecemo-la quando a vemos. (Jean L’Anselme)

Dizem que a poesia se define pela sua oposição. Mas o que é o oposto de poesia?. (Mahmoud Darwish)

Nunca escrevi um poema de que conhecesse o fim. Um poema é descoberta. (Robert Frost)

A poesia é um mundo fechado na mente do homem. (Victor Hugo)

Um poeta é fazedor profissional de objectos verbais. (W. H. Auden)

Eu sei que a poesia é indispensável, mas não sei dizer para quê. (Jean Cocteau)

A poesia é a criação rítmica da beleza em palavras. (Edgar Allan Poe)

A poesia é a linguagem que ninguém fala, mas toda a gente entende. (Alfred de Musset)

Ser poeta é uma condição, não uma profissão. (Robert Frost)

Os poetas são como as crianças: quando se sentam na sua secretária, os seus pés não tocam o chão. (Stanislaw Jerzy Lec)

A poesia não é a recordação de um evento: é o evento. (Robert Lowell)

A poesia é a vida destilada. (Gwendolyn Brooks)

Na poesia… a ordem das palavras é a ordem do teu coração. (Pedro A. Rosado)

Poesia é ouvir com os ouvidos mas ver só com a mente. (Octávio Paz)

Um poema pode comunicar antes de ser entendido. (T. S. Eliot)

A poesia é um eco pedindo a uma sombra para dançar. (Carl Sandburg)

A poesia é pensamento que respira e palavra que arde. (Thomas Grey)

A poesia é linguagem na qual o homem explora o seu próprio contentamento. (Christopher Fry)

A poesia é a deificação da realidade. (Edith Sitwell)

Poesia é criar algo que nunca veremos. (Gerardo Diego)

A poesia não pode ser definida, só experienciada. (Christopher Logue)

A poesia é como uma ave, ignora todas as fronteiras. (Yevgeny Yevtushenko)

(Recolha de JMR)

sábado, 18 de julho de 2009

SOMETHIMES... HÁ LIVROS ASSIM


Há textos e livros que de tão simples se tornam excessivamente belos. São os casos dos livros “Les jours bêtes” de Delphine Perret (2004, edição de "L'atelier du poison soluble") e “Sometimes” de Emma Dodd (2007, edição de "Templar Publishing").

O conceito base de ambos os livros refere-se à inconstância dos dias, dos momentos e das emoções. De facto, há dias em que somos assim e dias em que somos exactamente o inverso, dias em que nos sentimos medrosos e dias em que nos sentimos bravos e corajosos.

O primeiro dos livros tem algumas particularidades que merecem ser ressaltadas: o formato pequeno e minimalista, o texto (a magenta) no centro de cada página da esquerda e o desenho a preto em cada página da direita e, finalmente, a possibilidade de ser lacrado e enviado por correio a alguém que precise de receber de um amigo este livro-mensagem.

No segundo livro, é ao elefante que são atribuídos os estados de alma tão típicos dos humanos. E diz-se: “Sometimes you’re happy. Sometimes you’re sad”, continuando com outras antíteses para concluir (na penúltima página) “but no matter what you say or do, it makes no diference…” (e na última) “I love you”.

Neste livro destacam-se a técnica das ilustrações com rugosidades conscientes, relevos e espelhos (prateados), a diferença de tamanhos no tipo de letra com a intenção de enfatizar algumas ideias e o facto do livro se iniciar e concluir nas guardas e a ficha técnica se inserir na contra-capa.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A WARNING TO GROWN-UPS

O ano de 2008, em Inglaterra, foi o Ano Nacional da Leitura, com particular incidência para o combate à dislexia. Afinal, lá como cá!
Nesse âmbito, publicaram-se imensos livros. Hoje, apraz-me destacar um – The Jumble Book, editado por MacMillan Children’s Books (já em 2009). Este livro de capa mole, páginas de cor amarelada (ideia do organizador corroborada por crianças disléxicas) e com ilustrações a preto (não particularmente felizes) de Sarah Nayler é uma recolha de poemas (e alguns caligramas) escolhidos Roger Stevens, onde os bichos são reis e senhores.

Os 72 poemas, da autoria de múltiplos poetas, exploram várias vertentes da textura poética como a fonética, a visual e a temática (muito próxima do universo simbólico das crianças).

Mas o que gostaria hoje de enfatizar aqui é o texto introdutório de Roger Stevens (na foto acima) intitulado “Aviso aos crescidos” onde o autor, num misto de humor e seriedade tece algumas considerações sobre a poesia, umas defensáveis, outras nem tanto e quase todas discutíveis.
Deixo-o aqui com um intuito provocador para que opinem, concordem, discordem e – porque não? – se riam:

AVISO AOS ADULTOS

A poesia é divertida.
Não estraguem isso.

Não obriguem as crianças a ler poesia como trabalho de casa.
Correm o risco de ser fulminados pelo raio da morte.

Os poemas são pensados para ter palavras rudes
porque são literatura e é assim que vadiam até ti.

Não perguntem às crianças o que a poesia as faz sentir.
Esta é uma pergunta estúpida.

Não tentem analisar os poemas:
eles podem auto-detonar-se.

Se não conseguirem captar o sentido de um poema,
o problema está em vocês.

Os poemas não foram pensados
para serem escritos com sentenças gramaticais ou com pontuação correcta.

Não digam às crianças que deixem de sonhar acordados.
Os poemas nascem desses sonhos.

Nunca obriguem as crianças a copiar um poema.
Isso é estragá-lo.

Não façam as crianças ler infantilmente poemas em voz alta diante de toda a turma.
Se o fizerem, podem ser raptados por aliens e levados para Alpha Centauri
e forçados a fazer trabalhos de casa durante cem anos.

Enviado pela Autoridade Galáctica e ditado por telepatia a Ken Follett que o escreveu sem o assinar de cruz.

(Tradução (muito) livre de JMR)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

DE LONDRES, "MONKEY AND ME"

De Londres, trouxe um livro muito bonito, não exactamente pelo design ou pelas ilustrações ou sequer pela história. É um livro extraordinário que me cativa pela simplicidade. Curiosamente, segundo os críticos, este livro de Emily Gravett, - “Monkey and Me” - , constitui uma surpresa relativamente aos livros anteriores (Wolves, Orange Pear Apple Bear, Meerkat Mail, and Little Mouse’s Big Book Of Fears). Não conheço estes para confirmar ou negar esta opinião. O que digo, em concordância com a crítica, é que “Monkey and Me” é divertimento puro e simples, sendo tão só a história de uma menina de totós e do seu macaco.
Este livro tem tudo o que é necessário para um álbum (Picture Book, em inglês) bem sucedido: texto repetitivo, texto rítmico, divertimento, oportunidades interactivas e ilustrações encantadoras (subtis, umas vezes e outras, não tanto). A cada três páginas repete-se o refrão (Monkey and me, / Monkey and me, / Monkey and me, / We went to see, /We went to see some…), sendo que as duas páginas que se lhe seguem revelam o que a menina e o macaco vêm ver. Outro aspecto interessante reside na possibilidade de, a partir das ilustrações, imitar os gestos da menina e do macaco. (Quem não gosta de fingir ser um elefante, um canguru, um macaco, um pinguim, etc.?).

Para conhecer melhor o trabalho (ilustração e escrita) de Emily Gravett, siga por aqui ou aqui.

domingo, 5 de julho de 2009

EU, EM BOAS COMPANHIAS

Ontem, na apresentação do livro "Verso a Verso - Antologia Poética", na companhia de alguns dos antologiados e de outros amigos: José António Franco, Vergílio Alberto Vieira, Maria Helena Pires, Rui Almeida, (eu), João Concha (o ilustrador), Alfredo (e o filho, galegos), Amadeu Baptista e Tati Mancebo (galega).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

CORAÇÃO DE MÃE, LUGAR MÁGICO

Depois do sucesso do livro “P de Pai” de Bernardo Carvalho, este “Coração de Mãe” de Isabel Minhós Martins pode parecer, aos leitores distraídos, como “mais do mesmo”. Não é assim.
Apesar de certa mnemónica que os títulos possam sugerir, este livro não coloca o acento na letra M de Mãe, como seria (supostamente) expectável, mas no “coração de mãe”, expressão que só não aparece em 3 das 21 páginas com texto e que exalta o que se diz logo no segundo e terceiro parágrafo: “É um lugar mágico onde acontecem as mais extraordinárias das coisas…” e “o coração de mãe está ligado a cada coração de filho por um fio fininho, quase invisível”. O resto do livro é uma enumeração, atenta, sabia e maduramente reflectida, de tudo o que acontece no coração da mãe por acontecer aos filhos.
Este é um texto poético, onde a própria repetição exaustiva da expressão enunciada oferece um mote melódico com variações rítmicas a que o leitor não ficará, por certo, indiferente. A própria “fonte” utilizada (a imitar a escrita à mão), em conjugação com a ilustração (de Bernardo Carvalho), pode constituir-se como uma oportuna ferramenta interpretativa da poeticidade (e profundidade) do texto.
Sublinhe-se que, na ficha técnica, se anuncia a disponibilidade online de propostas de exploração para pais e educadores o que indicia uma preocupação pedagógica subjacente.
Um livro para o coração, de mãe e de filho.

Título Coração de Mãe Autor(es) Isabel Minhós Martins, Bernardo Carvalho (ilustrador) Tipo de documento Livro Editora Planeta Tangerina Local Oeiras Data de edição 2008

O SEMÁFORO CHORÃO NA PAIS & FILHOS

O SEMÁFORO CHORÃO NA PAIS & FILHOS DE AGOSTO Leonor Riscado apresenta, na revista Pais & Flhos, do mês de agosto, o meu livro &qu...