A WARNING TO GROWN-UPS

O ano de 2008, em Inglaterra, foi o Ano Nacional da Leitura, com particular incidência para o combate à dislexia. Afinal, lá como cá!
Nesse âmbito, publicaram-se imensos livros. Hoje, apraz-me destacar um – The Jumble Book, editado por MacMillan Children’s Books (já em 2009). Este livro de capa mole, páginas de cor amarelada (ideia do organizador corroborada por crianças disléxicas) e com ilustrações a preto (não particularmente felizes) de Sarah Nayler é uma recolha de poemas (e alguns caligramas) escolhidos Roger Stevens, onde os bichos são reis e senhores.

Os 72 poemas, da autoria de múltiplos poetas, exploram várias vertentes da textura poética como a fonética, a visual e a temática (muito próxima do universo simbólico das crianças).

Mas o que gostaria hoje de enfatizar aqui é o texto introdutório de Roger Stevens (na foto acima) intitulado “Aviso aos crescidos” onde o autor, num misto de humor e seriedade tece algumas considerações sobre a poesia, umas defensáveis, outras nem tanto e quase todas discutíveis.
Deixo-o aqui com um intuito provocador para que opinem, concordem, discordem e – porque não? – se riam:

AVISO AOS ADULTOS

A poesia é divertida.
Não estraguem isso.

Não obriguem as crianças a ler poesia como trabalho de casa.
Correm o risco de ser fulminados pelo raio da morte.

Os poemas são pensados para ter palavras rudes
porque são literatura e é assim que vadiam até ti.

Não perguntem às crianças o que a poesia as faz sentir.
Esta é uma pergunta estúpida.

Não tentem analisar os poemas:
eles podem auto-detonar-se.

Se não conseguirem captar o sentido de um poema,
o problema está em vocês.

Os poemas não foram pensados
para serem escritos com sentenças gramaticais ou com pontuação correcta.

Não digam às crianças que deixem de sonhar acordados.
Os poemas nascem desses sonhos.

Nunca obriguem as crianças a copiar um poema.
Isso é estragá-lo.

Não façam as crianças ler infantilmente poemas em voz alta diante de toda a turma.
Se o fizerem, podem ser raptados por aliens e levados para Alpha Centauri
e forçados a fazer trabalhos de casa durante cem anos.

Enviado pela Autoridade Galáctica e ditado por telepatia a Ken Follett que o escreveu sem o assinar de cruz.

(Tradução (muito) livre de JMR)

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