O QUE É A POESIA?, SEGUNDO MIQUEL DESCLOT

A minha amiga Glória Bondons, da Universidade de Barcelona e coordenadora do grupo Poció – Poesia e Educação, deu-me a conhecer, em boa hora, a poesia de Miquel Desclot.

Nascido em Barcelona (1952), é poeta, escritor, tradutor e também escreve libretos de ópera. Entre 1975 e 1992 desenvolveu actividades de docência na Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) e em Durham (Inglatera). Em 1992 decide dedicar-se em exclusivo à literatura.

Com mais de 40 livros escritos para o público infanto-juvenil, destacam-se especialmente os seguintes: Cançons de la lluna al barret (1978) um dos seus primeiros poemários, Juvenília (1983), Com si de sempre (1978) o Fantasies, variacions i fuga (2006).

As suas traduções (ou versões) recolhidas em Per tot coixí les herbes. De la lírica japonesa (1994) e, mais recentemente, De tots els vents (2004), constituem verdadeiras criações poéticas.
A sua obra poética encontra-se em numerosas antologias.
Recebeu vários prémios literários de poesia e prosa.

Convoco hoje aqui Miquel Desclot a propósito de um breve texto, a modo de prefácio, que escreveu no seu livro “De palabras y saltimbanquis” (2008 - Edelvives), onde, de forma simplesmente bela e excessivamente poética, nos explica o que é a poesia:
Os saltimbancos do circo só nos emocionam quando actuam na pista, executando os malabarismos extraordinários que só eles sabem fazer. Ao contrário, quando fazem o que toda a gente pode fazer, como estrelar um ovo ou comprar um jornal, os saltimbancos são tão pouco emocionantes como qualquer outra pessoa (como tu ou como eu).
Do mesmo modo, as palavras não nos emocionam quando se comportam de modo ordinário (como, por exemplo, para pedir uma borracha emprestada). Todavia, quando estas mesmas palavras adoptam um comportamento extraordinário (quer dizer, quando as palavras fazem piruetas artísticas na sua pista), começam a emocionar de uma forma assombrosa. À pista onde as palavras actuam como saltimbancos surpreendentes chamamos poesia.
Sem circo, sem música, sem teatro, sem poesia… a vida humana seria pouco mais que uma vida animal. Bem-vindos ao circo poético!

[Miquel Desclot]

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