SEMANA DE ANDANÇAS E FESTA

Disse-o já e muitas vezes: encontrar leitores nas escolas é uma delícia! Comprovar que o que escrevo é lido, com agrado, prazer e vontade de aprender e saber mais pelos alunos mais pequenos vale a pena a tarefa (ás vezes árdua) da escrita. Na semana que passou, pude experimentar, mais uma vez, como ler é uma festa!

E a festa começou na Segunda-feira, em Miranda do Corvo, bem no centro do país, na Biblioteca Municipal, com dois grupos de alunos do 1.º Ciclo, vindos das povoações vizinhas. Falei dos meus livros e escutei canções, vi desenhos e até uma pequena encenação inspirada pelo livro “A Menina das Rosas”.

A festa continuou Terça-feira, Murça, na Biblioteca Municipal de Murça, onde uma pequena multidão bebeu com sofreguidão as minhas palavras, leituras e respostas às perguntas colocadas. Aqui pude saborear os frutos que os meus livros produzem e sobretudo o espaço de criatividade e actividade que possibilitam. Adorei o entusiasmo que senti e os trabalhos apresentados.
Na Quarta-feira, desloquei-me à EB 2/3 César Augusto Pires de Lima, no Porto, para uma breve conversa sobre a poesia (o que é, como, sobre e quem pode escrever poesia, etc). Simples e breve, mas bom!

Na Quinta-feira, estive na EB 1 dos Castelos, no Porto e fui surpreendido pelos alunos mais pequeninos do Jardim de Infância e do 1.º Ciclo com as leituras feitas e os trabalhos elaborados a partir dos meus livros. Ouvir os muito pequenos soletrar versos dos meus livros é uma experiência indescritível, pelo que tem de beleza e magia!

Na Sexta-feira, e para terminar uma semana de festa, o encontro foi na EB1 da Ramada (em Burgães – Sto Tirso). Depois de cerca de uma hora de conversa com todos os alunos da escola, visitei uma exposição de trabalhos elaborados a partir dos meus livros (sobretudo o Improvérbios, o Poemas para Brincalhar e a Casa Grande) e repousei um “caditinho” na “Casa Grande” construída num lugar apropriado da escola – um bom sítio para estar. Depois, partilhámos juntos, um breve lanche, após o qual estive durante uma hora a fazer dedicatórias nos livros adquiridos.

Obrigado a todos os professores e educadores das escolas que visitei por terem dado a ler os meus livros!

Em sinal de gratidão, dedico-vos um poema intitulado “Todas as crianças da terra” do poeta português (emigrante no Brasil), falecido em 1982. Sem mais:

Um capacete de guerra tem um ar carrancudo
Muito mais bela é uma flor
Uma flor tem tudo
para falar de paz e de amor.

Mas se virarmos o capacete de guerra
ele será um vaso, e é bem capaz
de ter uma flor num pouco de terra
e falar de amor e de paz.

A paz é uma pomba que voa.
É um casal de namorados.
São os pardais de Lisboa
que fazem ninho nos telhados.

E é o riacho de mansinho
que saltita nas pedras morenas
e toda a calma do caminho
com árvores altas e serenas.

A paz é o livro que ensina
É uma vela em alto mar
e é o cabelo da o menina
que o vento conseguiu soltar.

E é o trabalho, o pão, a mesa,
a seara de trigo, ou de milho,
e perto da lâmpada acesa
a mãe que embala o seu filho.

A paz é quando um canhão
muito feio e de poucas falas
sente bater um coração
e dispara cravos, em vez de balas.

E é o braço que dás
no dia em que tu partires,
e as gotas de chuvas da paz
no balanço do arco-íris.

É luar de lua cheia
tocando as casas e a rua,
são conchas, búzios na areia,
a paz é minha e é tua.

É o povo todo unido
no mundo, de norte a sul,
e é um balão colorido
subindo no céu azul.

A paz é o oposto da guerra
é o sol, são as madrugadas,
e todas as crianças da terra
de mãos dadas, de mãos dadas,
de mãos dadas.

(Sidónio Muralha)

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