OS MISTÉRIOS DA POESIA EM AMARES
No passado dia 15 estive em Amares, com meia centena de professores a descobrir “Os mistérios da escrita de poesia para crianças”. Esta acção de formação foi promovida pela Câmara Municipal no âmbito do Programa de Itinerâncias 2010, da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.
Assim, passamos (deliciosamente) o dia a sentir a força das palavras e a tentar lucidamente definir o inefável, porque (confirmamo-lo) de poeta e louco todos temos um pouco e a poesia não é propriedade privada de ninguém e há algumas ferramentas que se não nos tornam poetas, permitem-nos sondar-lhe a anatomia, ao sabor do pensamento, do prazer e da emoção. Demos corda às palavras, construindo rimas (e/ou jogos de palavras) com letras e traços, palavras e encadeamentos, textos multiplicados, modelos e subversões.
Eu adorei o dia e mais uma vez comprovei que é preciso
VER CLARO
Eu adorei o dia e mais uma vez comprovei que é preciso
VER CLARO
[porque]
Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si
e o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade (Os Sulcos da Sede, 17).


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