domingo, 27 de fevereiro de 2011

ANDANÇAS D'ESCRITAS

- A 11ª Edição das Feiras Francas (Palácio das Artes – Fábrica de Talentos) foi o palco para a apresentação do meu livro “Encrava-línguas”, com ilustrações de Sara Cunha, ontem, pelas 16.30h. O momento foi singelo: eu falei da génese do livro e a Sara falou do trabalho de ilustração. Depois li, ora sozinho, ora solicitando a participação dos presentes, todos os trava-línguas do livro. Seguiu a sessão de autógrafos.

- As Correntes d’Escritas são o maior encontro de escritores em Portugal. Tive o privilégio de participar. Logo no primeiro dia dei uma entrevista a explicar a utilidade do encontro. Pode ver-se aqui.
No dia seguinte, visitei a EB 2/3 Flávio Gonçalves com o escritor e humorista Pedro Vieira (da parte da manhã) e a EB 2/3 de Rates com o escritor e poeta Valter Hugo Mãe (que teve a gentileza de, na mesa de Sábado de manhã, recomendar publicamente a leitura e a compra do livro “Meu Avô, Rei de Coisa Pouca”. Obrigado, Valter!).
Na sexta-feira, participei na mesa da tarde, tendo dissertado sobre um verso de um poema de “O Livro do Sapateiro”, de Pedro Tamen, vencedor do Prémio das Correntes. O verso era “A obra que faço é minha”. A meu lado tive Álvaro Magalhães, David Machado, Francisco Duarte Mangas, Vergílio Alberto Vieira e Ivo Machado (que moderou a mesa).
Para o ano há mais!

- A EB 1 do Cavaco, a maior escola do Agrupamento de Santa Maria da Feira, recebeu-me festivamente na manhã de 22 de Fevereiro. O que mais me espantou neste encontro foi a presença de um grupo significativo de alunos surdos. Foi bonito ter a meu lado a professora de língua gestual a traduzir as minhas palavras, canções e brincadeiras. Trouxe comigo alguns trabalhos elaborados pelos alunos a partir dos meus livros. Obrigado!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SENHOR ATO, O CAMALEÃO

Está prestes a sair do forno um novo livro intitulado "Senhor Ato, o Camaleão". O Senhor Ato tem bichos-carpinteiros. Irrequieto, ata-se a esta, àquela e a outra consoante e assim, a cada uma, muda o seu fazer e ser. O Senhor Ato é um camaleão. Eis uma deliciosa brincadeira com letras, ilustrada por Sónia Borges.

O Acordo Ortográfico é aqui abordado de uma forma simpática e brincalhona, ainda que não usado (para já). Espero que meninas e meninas "adoptem" (ou "adotem"?) esta brincadeira e se divirtam com as malandrices camaleónicas do Senhor Ato.
É o meu primeiro livro pela editora 7 Dias 6 Noites.

ANDANÇAS!!!

- As turmas do 2.º Ano de escolaridade do Colégio do Rosário, no Porto, receberam-me em euforia, no dia16, para me questionarem sobre o livro “Raras Aves Raras” que escrevi em parceria com os alunos do Externato Paraíso dos Pequeninos e do colégio Terras de Santa Maria. Foi um bocadinho de tarde excelente com muitos autógrafos no fim. Obrigado pelo convite e parabéns pela preparação do encontro e do diálogo.

- No dia 17, fui a Seia, nas faldas da Serra da Estrela, encontrar-me com alunos do 3.º e 4.º anos de dois Centros Escolares. Apesar do lugar e da temperatura, não senti nenhum frio; ao contrário, muito calor humano, muitas leituras e muita curiosidade sobre o processo de escrita de livros. Ficou a promessa de lá voltar de novo.

- O poeta Eugénio de Castro, na EB 2/3 com o seu nome, em Coimbra, patrocinou o meu encontro com 3 turmas do 5.º ano, na manhã do dia 18. A conversa desenrolou-se sobretudo em redor do livro “Meu Avô, Rei de Coisa Pouca”, mas não só. Lamentavelmente, não sobrou tempo em nenhum dos encontros.
 Como recordação da minha passagem trouxe uma caricatura elaborada (na hora) pela Dra. Maria Emília, conhecida por Mimi, reconhecida caricaturista de Coimbra. Obrigado!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

MEU AVÔ, REI DE COISA POUCA

No passado dia 05 de Fevereiro, a Livraria Papa-Livros acolheu a apresentação do meu livro "Meu Avô, Rei de Coisa Pouca". O livro foi apresentado pela Doutora Sara Reis da Silva. Dessa apresentação, que agradeço, destaco os excertos que se seguem:

"A obra Meu Avô, Rei de Coisa Pouca, como o título faz prever, centra-se numa figura cujo retrato começa a desenhar-se, directa e indirectamente, logo na abertura da narrativa ou no incipit: «A casa da eira era o palácio do avô. Nela tinha o seu trono, guardava a sua coroa e retinha os seus tesouros. Na verdade, era apenas um espigueiro antigo de granito. Mas não era o palácio que o tornava rei, era a sua condição de senhor de terras e céus, bichos e chuvas, ventos e aragens, romãs e bonecas de trigo. (...) De aspecto, o avô nada tinha de parecido com um rei. Era um homem simples, afeito ao trabalho, que se dividia entre a metalurgia e a agricultura, alto, ombros largos, cara de anjo papudo, com sulcos que o tempo foi esgravatando, mãos enormes, pés firmes.» (Ribeiro, 2011: 9). A metáfora anunciada pelo título prolonga-se ao longo de todo o relato e inúmeras associações transfiguradoras do protagonista a um rei acompanham também identificações como, por exemplo, casa da eira-palácio ou bicicleta-cavalo alado. Estas associações estendem-se ao discurso visual da publicação, da autoria de Catarina Pinto, e este, composto a partir de uma técnica mista (recorte, colagem, fotografia, etc.), cria a ilusão de diferentes texturas e perspectivas. Logo desde a capa e contracapa (que formam uma unidade semântica e que, pela representação, não isenta de uma significativa carga simbólica, de uma árvore e do herói da narrativa determinam um especial «horizonte de expectativas»), passando pelas guardas da publicação, até às imagens do miolo do volume, as ilustrações dão conta do carácter maravilhoso de certos momentos diegéticos, da forte presença do elementos naturalistas, da profunda ligação afectiva entre as personagens e do tratamento de temáticas intemporais.

Dos títulos dos nove capítulos que compõem a obra – «O cavalo alado», «O tamanho do reino», «A romãzeira e a menina», «O baile das bonecas de trigo», «O amigo da bicharada», «O mapa dos segredos» «O rio da vida», «Os últimos dias» e «Os idos dias que hão-de vir» –, bem como das ilustrações em páginas duplas que antecedem cada um deles, sobrelevam alguns dos topoi e dos aspectos simbólicos mais importantes da narrativa e, se fosse imprescindível a identificação de um leitmotiv da obra, diria que este possui uma dupla acepção, partilhando o ser humano e a natureza (e o seus ciclos) o lugar central. Com efeito, o homem impregnado de natureza e a natureza espelho do homem (numa relação de simbiose, por vezes, de contornos telúricos) afiguram-se os pilares que sustentam quer a (re)construção ficcional do avô João, quer a própria arquitectura do espaço, nas suas dimensões física, psicológica e social.

O amor, que «serve para temperar todas as coisas» (idem, ibidem: 21), como se diz no texto, o amor aqui dado a conhecer em múltiplas vertentes – o amor do neto pelo avô, o amor do rei-avô pela sua rainha ou o amor à natureza, à terra-mãe ou «às coisas simples e pequenas» (idem, ibidem) –, releva da totalidade da obra, distinguindo-se como um dos eixos semânticos estruturantes da acção. O tom sentencioso e o carácter lapidar de certas expressões, mais recorrentes e evidentes à medida que a acção se aproxima do desenlace, denunciam uma especial atitude filosófica e existencial, em alguns momentos, muito próxima de correntes clássicas como o epicurismo – «A aceitação de que a vida é o que é, e assim é que é (...)» (idem, ibidem: 76) –, propondo-se, a cada instante, uma reflexão sobre a vida e a sua passagem, sobre a morte, sobre o tempo, sobre a memória, entre outros.

Referências histórico-culturais e literárias – estas últimas reflectidas, por vezes, na alusão a textos ou a partes de textos da literatura tradicional/oral) – perpassam toda a obra (Batalha de La Lys e a Primeira Guerra Mundial, Pégaso, a Bíblia, Federico Garcia Lorca, a ilha dos amores ou Alberto Caeiro), a par da presença significativa de vivências, costumes e hábitos do quotidiano rural (como, por exemplo, a desfolhada, motivo nuclear do capítulo intitulado «O baile das bonecas de trigo»), estimulam a leitura e promovem um convívio com uma cultura que reúne o universal e o local, o colectivo e o individual ou, ainda, o passado e o presente.

A criatividade da linguagem de João Manuel Ribeiro traduz-se, por exemplo, nas enumerações de elementos da natureza, descritos num registo que dá conta da visão sensorial do autor/narrador. Na verdade, a adjectivação abundante e as recorrentes metáforas contribuem para um descritivismo especial, que explora as potencialidades semânticas de um sensorialismo e/ou de um visualismo muito envolventes. Globalmente, Meu Avô Rei de Coisa Pouca caracteriza-se pela sua escrita bem ritmada – releia-se a afirmação «O ritmo que ponho em cada história que escrevo levanta-se de um baile com bonecas de trigo» (idem, ibidem: 76) –, com uma cadência própria, que desvela, com delicadeza e discrição, uma singular percepção do mundo, da vida, do eu e dos outros. Estas e outras características, que o espaço e o tempo desta intervenção não permitem questionar, mas que, no texto, surgem sintetizadas na expressão «jeito de tricotar paisagens com palavras e versos» (idem, ibidem: 76), podem ser comprovadas em excertos como o seguinte: «E deixei-me arrastar pelo corpo tenor de uma após outra boneca de trigo, que se agitavam agilmente, numa ronda de passos, gestos e sorrisos. E se a música nos acelerava, o rodopio era intenso, ao redor do corpo de cada boneca, ora permanecendo ora trocando de par, indo ao centro, voltando à roda, dobrando os joelhos em inclinação, erguendo os braços em aclamação. E as bonecas, fosse pela correria, fosse por qualquer outra magia do avô, iam adquirindo o corpo de formosas donzelas que nos afagavam os cabelos e cobriam de beijos e carícias.» (idem, ibidem: 38). "

[Sara Reis da Silva]

CONVERSAS


- No dia 15 de Fevereiro, um dia depois do Dia dos Namorados, fui celebrar esta efeméride com os alunos da Escola Secundária Quinta das Flores, em Coimbra. O mote foi o meu livro “Amo-te - Poemas para gritar ao coração”, embora se tivessem lido poemas de outros livros.
A apresentação inicial e a leitura de poemas acompanhada ao piano surpreenderam-me. Foi um verdadeiro encontro de alunos adultos com a poesia. Vejam a notícia no blog da escola.
- No dia 12, não sobraram cadeiras na Biblioteca Municipal de Gondomar para a acção de formação “A Poesia vai à escola” orientada por mim no âmbito do Programa Itinerâncias 2010, da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas. Os participantes foram excelentes! Percebeu-se que amam a poesia! Parabéns!

- No dia 11, a EB 2/3 Inês de Castro foi o cenário para o meu encontro com quatro turmas do 1.º Ciclo daquele Agrupamento. A festa foi total. Houve encenações, canções, perguntas, autógrafos, prendas, etc. Gostei muito do empenho dos professores e da vitalidade dos alunos. Como devia ser sempre.

- No dia 10, a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão foi o lugar de encontro com turmas do 1.º Ciclo daquele concelho, numa organização da biblioteca. De parabéns estão a Biblioteca e as turmas que comigo estiveram em amena cavaqueira.
- No dia 09, o encontro foi na EB1 de Espargo, em Santa Maria da Feira. Com todos, desde os mais pequeninos da pré-escola aos maiores do 4.º ano. Muitos foram os autógrafos, em livros adquiridos por ocasião do Natal, sobretudo os “Poemas da Bicharada” e o “Cantilenas Loucas, Orelhas Roucas”.

- No dia 08, na EB 2/3 de Valongo a conversa decorreu em redor do livro “Amo-te - Poemas para gritar ao coração”. Conversa interessante, diga-se em abono da verdade. Percebi que havia trabalho de leitura prévio, o que bom e agiliza o diálogo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

TANTAS ANDANÇAS

Apesar de algum atraso, impõe-se o registo, ao sabor apressado da pena, de algumas andanças:

- As 5 escolas do 1.º Ciclo do Agrupamento de Escolas de S. João da Madeira receberam a minha visita nos passados dias 26 e 28 de Janeiro. O que mais me impressionou nesta jornada pela “capital da ilustração” foi o empenho dos professores na leitura e “exploração” prévia de alguns dos meus livros. Quando assim é, a visita tem outro gosto. E isso percebe-se na animação dos alunos (que não falam de cor), na formulação das perguntas, nos trabalhos realizados e postos em comum e até na sessão de autógrafos. Foram verdadeiramente dias de festa - festa da poesia, festa das histórias, festa das brincadeiras.
Obrigado à Dra. Carla Almeida e ao Dr. Luís pelo empenho e convite!

- No dia 27, descansando de S. João da Madeira, deu um saltinho de pardal a Torres Vedras, à Biblioteca Municipal, onde me encontrei com alunos do 1.º Ciclo em duas sessões. Falei dos meus livros - de uns mais do que outros e sobretudo do livro “Meu Avô, Rei de Coisa Pouca” que me chegara à mão na véspera. Os meus parabéns à equipa da biblioteca e obrigado pelo convite.

- No dia 28, ao fim da tarde, participei no Colóquio Internacional Literatura Infantil e Mundo Globalizado com uma comunicação intitulada “Humor, Ironia e Crítica Social na Poesia Infantil e Juvenil de Vergílio Alberto Vieira”.

- No dia 29, no mesmo Colóquio, falei, em parceria com a Gabriela Sotto Mayor, sobre “Literatura Infantil e Juvenil e os Livros de Filosofia para Crianças”.

- No dia 01 de Fevereiro estive na EB 2/3 Eugénio de Castro, em Coimbra, a dinamizar duas breves Oficinas de Poesia com duas turmas do 8.º ano. Obrigado à Dra. Paula pelo convite.

- No dia 02 estive na EB 2/3 Alice Gouveia, em Coimbra, em duas sessões com alunos do 2.º Ciclo. Impressionaram-me os cartazes que o Dr. Fresco elaborou para noticiar o evento: verdadeiras obras de arte! Impecável recepção, como sempre! Parabéns à Dra. Maria João Caldeira e à equipa da biblioteca. E aos alunos que foram impecáveis na apresentação dos meus livros, na leitura dos textos e nos trabalhos plásticos apresentados.


- No dia 03 estive em Fajões e Cesar, à conversa com alunos e professores de 3 escolas do 1.º Ciclo. A jornada foi intensa, mas deliciosa. No que toca à poesia, como porventura em quase tudo, “de pequenino é que se torce o pepino” e isso percebe-se na leitura, encenação realizada e acolhimento à poesia e às histórias. Obrigado à Dra. Fernanda.

Amo-te - Poemas para gritar ao coração (2.ª edição)

A propósito da 2.ª edição do livro "Amo-te - Poemas para gritar ao coração", edição bilingue, retomamos uma entrevista ao " ...