quarta-feira, 3 de setembro de 2014

NO CENTENÁRIO DA PRIMEIRA GRANDE GUERRA


DESERTOR

Menino que vais na rua,
não chores, nem cantes: berra
ou então salta prà lua
e mija de lá na terra.

José Gomes Ferreira (Pessoais, 1939-1940)

Eu, que sou menino de rua,
salto do cais para a falua.

.
Eu, que sou cantoneiro de vielas,
salto da trincheira p’ras estrelas.

Eu, que sou ferrugem do vento,
salto da lama e piso o firmamento.

Eu, que sou desertor de guerra,
salto prà lua e de lá mijo na terra.


DANOS COLATERAIS

Levantava-se cada noite
da cama
do velho avô
um fantasma de lama.

A avó, compassiva,
chamava-lhe enteado,
filho de guerra.


UMA BARRICADA CONTRA A GUERRA
[QUALQUER GUERRA]

Uma barricada de estrelas e luas
ergueu-se, intempestiva, na praça,
a impedir que medos e sombras cruas
se apossem do passo de quem passa.

Uma barricada de estrelas e luas
sitiou astros e relâmpagos acesos
no regaço largo de mulheres nuas
com sonhos e maridos presos.

Uma barricada de estrelas e luas
pendurou no estendal da notícia
um céu claro e limpo, sem gruas
a roubar do chão a poesia da delícia.

João Manuel Ribeiro

O SEMÁFORO CHORÃO NA PAIS & FILHOS

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