DAR CORDA ÀS PALAVRAS


Está na hora de dar corda às palavras e de escrever poesia!
Para já, vamos apenas «brincalhar» com as palavras, letras e traços. 
Porque efetivamente pode fazer-se poesia (talvez seja melhor dizer: jogos poéticos) com ou a partir de sinais gráficos.
Ora vejam alguns exemplos do poeta / publicitário Alexandre O’Neill (na foto), do livro Poesias Completas, editado pela Assírio e Alvim:



^
Se me puseres
serás a mais bonita das mulheres.


^
Dou guarida e afecto
a vogal que procure um tecto.


Em aberto, em suspenso
Fica tudo o que digo.
E também o que faço é reticente…


(   )


Quem nos dera bem juntos
sem grandes apartes metidos entre nós!

.

Depois de mim: maiúscula
Ou o espaço em branco
Contra o qual defendo os textos


Agora tentem vocês…


Escolham um traço ou sinal gráfico e «vejam»:
o que vos sugere, 
o que vos lembra, 
o que vos (a)parece….
e escrevam-no... utilizando «as melhores palavras na melhor ordem» ou como nos recomenda o escritor catalão Miquel Desclot, quando escreve:

Os saltimbancos do circo só nos emocionam quando actuam na pista, executando os malabarismos extraordinários que só eles sabem fazer. Ao contrário, quando fazem o que toda a gente pode fazer, como estrelar um ovo ou comprar um jornal, os saltimbancos são tão pouco emocionantes como qualquer outra pessoa (como tu ou como eu).
Do mesmo modo, as palavras não nos emocionam quando se comportam de modo ordinário (como, por exemplo, para pedir uma borracha emprestada). Todavia, quando estas mesmas palavras adoptam um comportamento extraordinário (quer dizer, quando as palavras fazem piruetas artísticas na sua pista), começam a emocionar de uma forma assombrosa. À pista onde as palavras actuam como saltimbancos surpreendentes chamamos poesia.

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