Dar corda às palavras IX (e último)
Textos multiplicados
Uma forma de (re)fazer ou
(re)inventar jogos poéticos é a de multiplicar os textos que outros escreveram,
continuando o poema escrito, repetindo a mesma estrutura ou, ainda, reescrevendo
à maneira de…, mantendo a estrutura, mas alterando os temas e/ou os
protagonistas.
Exemplo 1 - Continuar o poema
LENGALENGA DO VENTO
Andava o senhor vento
um dia passeando
encontrou uma formiga:
- Senhor vento, que força!
Lá caí de barriga.
Andava o senhor vento
bailando no olival
quando viu um lagarto:
- Senhor vento, que força!
Já nem por aqui escapo.
Andava o senhor vento
correndo no jardim
quando ouviu uma flor:
- Senhor vento, que força!
Tenha pena de mim.
Andava o senhor vento
a rir pelo pinhal
quando ouviu uma galinha:
- Senhor vento, que força!
Uma pinha na pinha!
Então o senhor vento
foi para o alto do monte
e encontrou um moinho:
- Senhor vento, que bom!
Eu estava tão sozinho!
Andava o senhor vento
pé ante pé na vinha
quando avistou um cão:
- Senhor vento, que força!
Fui de focinho ao chão!
Andava o senhor vento
a brincar pela rua
quando viu uma cereja:
- Senhor vento, que força!
Não me empurre, que me aleija!
Maria
Alberta Meneres (Lengalenga do Vento)
Agora tu:
Andava o
senhor vento
_________________________________
encontrou
____________________:
- Senhor
vento, _______________!
__________________________________
Andava o
senhor vento
__________________________________
encontrou
_____________________:
- Senhor
vento, _______________!
__________________________________
Andava o
senhor vento
_________________________________
encontrou
____________________:
- Senhor
vento, ______________!
_________________________________
Andava o
senhor vento
_________________________________
encontrou
____________________:
- Senhor
vento, _______________!
__________________________________
Exemplo 2 - Poemas à maneira de…
DIZEM ...
Diz o
sol: – Está na hora de abrir o
guarda-sol.
Diz a lua:
– Já não sou tua!
Diz a
minha mãe: – Está na hora da lição.
Diz a tua:
– Vamos lá, então!
Diz a
alegria: – Não sinto tristeza.
Diz a
tristeza: – Não sinto alegria.
Diz a
amizade: – Já sinto saudade.
Diz a
beleza: – Não amo a fealdade.
Digo eu: –
Foi um ar que lhe deu!
Dizes tu:
– É verdade, Deus meu!
Dizemos
nós: – Comamos duma assentada,
Dizem vós:
– Chegai-nos daí o pão,
Dizemos
todos: – Passai-nos a marmelada.
Maria
Helena Pires (Meia História)
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“DIZEM ...” (à maneira de Maria Helena Pires)
Diz a borboleta: não tenho a cor violeta!
Diz a lagarta: que grande lata!
Diz o sol: que grande girassol!
Diz a amizade: que grande felicidade!
Diz a beleza: que grande tristeza!
Diz o pão: que comilão!
Dizemos nós: que grande noz!
Diz o dado: estou encantado!
Dizemos todos: Somos tão lindos!
(Raquel e Ana Rita – 3º ano – Escola Básica de Albergaria-a-Velha)
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