Dica de Leitura - Algumas pistas para ler bem em voz alta


MIREIA LONG é codirectora e fundadora do movimento “Pedagogia Branca” (de que aqui falaremos um dia destes), perita em antropologia da criança e educação, em pensamento divergente, em estabelecer limites sem castigos e comunicação não-violenta, em aprendizagem online e cooperativa, em organização de espaços educativos e em altas capacidades.
Num artigo intitulado “Sabes como ler um conto aos teus filhos?”, oferece-nos algumas pistas substantivas para ler bem em voz alta. Tudo começa, refere, com a disposição emocional correta e uma boa preparação que  tornarão a leitura em voz alta uma experiência fantástica tanto para as crianças quanto para nós. Nesta experiência, há alguns aspetos práticos que podem ajudar na tarefa de ler em voz alta para as crianças. É verdade que não existe uma única maneira de ler bem uma história, e cada pessoa vai fazê-lo de maneira diferente, mas existem alguns aspetos que, de acordo com Mireia Long,  todos devem ter em conta, como:

1. Entusiasmo na tarefa
Quando vamos ler uma história, é conveniente que a tenhamos lido previamente e tenhamos gostado dela. Assim, em primeiro lugar, evitaremos o desapontamento de ter escolhido uma história inapropriada para o nosso filho e, em Segundo lugar, estaremos melhor preparados para realizar melhor a tarefa de ler em voz alta. É essencial que estejamos entusiasmados com o que vamos ler.

2. A postura
No início da leitura, devemos estar atentos à nossa postura corporal, ao nosso olhar, à nossa expressão, ao contato visual com a criança e ao modo como temos o corpo direcionado para ela, para transmitir proximidade, presença aberta e calma.
E, quando começamos a ler, devemos escutar-nos e tomar consciência do ritmo, do tom e da cadência das nossas palavras. Estamos a fazer algo importante e vale a pena faze-lo bem.

3. Leitura em voz alta:  expressividade e boa dicção
A nossa voz é música para ouvidos de nossos filhos quando lhes lemos em voz alta uma história. A voz e as pausas e a ênfase (com boa dicção) que damos formam uma melodia que, especialmente com os mais pequenos, será identificada indissoluvelmente com a história, sendo conveniente seguir os mesmos padrões melódicos em cada (re)leitura.
Na verdade, ler uma história em voz alta é uma representação artística e a linguagem de voz e corpo fazem parte da linguagem cinésica. Cuidando esses aspectos, estamos a tornar a história muito mais divertida do que se a lemos de forma linear ou inexpressiva.

4. O olhar
Uma história é lida com os olhos, sendo de aproveitar as pausas para manter o contacto visual com a criança, transmitindo-lhe o quanto nós apreciamos a atividade de ler. Mas também devemos usar os olhos como a parte mais expressiva do nosso corpo e nosso rosto. Com o olhar, vamos transmitir as emoções que fazem parte da história: surpresa, medo, alegria, dúvida, aventura ...

5. A voz
É claro que temos que usar a voz para transmitir as emoções e as situações na, mas também é necessário não nos tornarmos excessivamente exuberantes (ou histriónicos). Um conselho preciso: não use a voz com um tom excessivamente infantilizado ou paternalista. A criança escuta-nos porque sabemos como ler, mas não é estúpida, é o nosso público.
Com a voz também narramos. Quando a atmosfera é silenciosa, como quando as crianças caminham pela floresta, vamos sussurrar. Quando um perigo se aproxima, vamos usar um tom retumbante e quando os protagonistas enfrentam a incerteza, também vamos marcar lentamente o significado da frase. Não é necessário ser um grande ator, para permitir que o autor nos guie com o próprio argumento e o texto.
Cada personagem merece uma voz própria, mas não de forma ridícula. Um ogre, uma boa fada, a madrinha do mal, a garota feliz, o altivo e corajoso... cada um terá um tom diferente e, dessa forma, a narração torna-se teatral e a criança vai apreciar mais, aprendendo a identificar cada personagem.

Boas leituras!

Comentários

Mensagens populares