Livro da Semana - O Rapaz do Nariz Comprido


Quando os mestres se encontram para fazer nascer um livro, só pode nascer uma obra-prima! É seguramente o caso de “O rapaz do nariz comprido e outros contos”, escrito por Luísa Ducla Soares e ilustrado por João Vaz de Carvalho, numa edição dos Livros Horizonte (novembro de 2017).
Três dos quatro textos que compõem o livro foram anteriormente publicados: O rapaz do nariz comprido, em 1981, com ilustrações de Cristina Malaquias; A menina boa, em 1985, com ilustrações de Maria Nemeth; O senhor Forte, em 1984, com ilustrações de Teresa Neto; salvo erro, só o conto O menino medricas é inédito. Este facto não retira qualquer relevância ao livro, pelo contrário, oferece, antes, aos pequenos leitores contos que estavam já envolvidos pelo fumo do tempo e do esquecimento.
Como em toda a escrita de Luísa Ducla Soares, estes contos breves pautam-se por uma simplicidade (ou lisura) que incomoda positivamente os adultos, mas é querida (e reclamada) pelos pequenos leitores. Em termos de trama ou argumento, os contos são absolutamente cativantes, captando a atenção (e entendimento) do leitor, desde a primeira à última palavra. Diremos que, nestes contos, a forma acompanha a beleza e a inteligência dos núcleos temáticos tratados, arte que (só) Luísa Ducla Soares domina na perfeição.
Em diálogo com a lisura formal e com a(s) temática(s) estão as ilustrações de João Vaz de Carvalho. No seu estilo inconfundível, as personagens, apesar de diversas e circunscritas a cada conto, pelo seu caracter humorístico bem como pela continuidade de tons e cores, situam-se num contexto de linearidade que oferece ao livro uma fantástica unidade visual. Note-se, a este título, a abundância de animais que povoa o livro e que, articulada com o rapaz do nariz comprido, a menina boa, o menino medricas e o senhor forte mostra como, nos livros de literatura para crianças, a componente visual (e não só a ilustração, mas também o lettering e outros detalhes como, por exemplo, a distribuição do texto), se “bem casada” com o texto, forma com ele uma unidade de sentido capaz de suscitar movimentos inferenciais sublimes.

Resta dizer que o formato alto do livro (21.5 de largura por 28.7 cm) realça de sobremaneira o trabalho dos autores, deixando-o respirar e permitindo que seja uma gozosa paisagem para os olhos e para o coração.

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