A paixão de ser leitor!


A Revista do Expresso de 28 de abril passado dá-nos a conhecer o escritor, tradutor e editor  Alberto Manguel (1948), nascido na Argentina, sendo hoje cidadão canadiano, apesar de ter passado a infância em Israel, estudado na Argentina, vivido no interior da França de ser, atualmente, o diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, numa soberba entrevista conduzida por Luciana Leiderfarb, significativamente intitulada A verdadeira casa de papel se preferirmos o titulo da capa ou A sociedade anestesiou-nos se optarmos pelo título do interior.
Trata-se, com efeito, de uma entrevista que vale a pena ler e reler, pela profundidade, pelo conhecimento que revela da literatura e do facto literário e, ainda, pela amplitude que possibilita e propõe, surpreendendo a cada afirmação ou tema abordado.
A mim, impressionou-me sobremaneira a decisão de viver entre os livros e não a de ser escritor: Tentei sê-lo, mas rapidamente percebi que não escreveria nada que se comparasse com os textos que admirava. Disse a mim mesmo que não tinha necessidade de ser escritor, que podia ser leitor.
Um escritor aleatório, um leitor essencial… sugere a entrevistadora, ao que Manguel responde lapidarmente: Totalmente. Se não se escrevesse mais nada, o que está até agora publicado bastaria para uma eternidade.
Esta é uma perspetiva que pode funda(menta)r o gosto e a paixão de muitas pessoas pela leitura e não pela escrita e talvez imponha a alguns escritores a humildade de se tornarem leitores do que outros escreve(ra)m ou do bom que está escrito.
Vale a pena (re)ler!

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